sexta-feira, 14 de abril de 2017

Odebrecht revela repasse de R$ 40 milhões para demandas de Lula

Além de confirmar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o referido "Amigo" no esquema de propinas, o empreiteiro Marcelo Odebrecht revelou, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que combinou com o ex-ministro Antonio Palocci a reserva de R$ 40 milhões de reais em propinas para atender as "demandas de Lula". 
Odebrecht revela repasse de R$ 40 milhões para demandas de Lula
Isso teria acontecido em dezembro de 2010, no fim do segundo mandato do petista. 
"Tinha um saldo de uns 40 milhões. Aí o que eu combinei com o Palocci? Vai mudar o governo, vai entrar a Dilma [..] A gente sabia que ia ter demandas de Lula, por uma questão do instituto, para outras coisas. Então o que a gente disse foi o seguinte: 'Vamos provisionar uma parte desse saldo, e então botamos R$ 35 milhões no saldo do Amigo, que é Lula, para uso que fosse orientação de Lula, porque a gente entendia que Lula ainda ia ter influência no PT",
declarou Marcelo. Concedido nessa segunda (10), o depoimento detalhou como o esquema de financiamento das demandas do ex-presidente por parte do "Departamento de Operações Estruturadas" foi criado. 
"Como era uma relação nossa com a Presidência [da República], PT, com Lula, tudo se misturava. Então, a gente botou R$ 40 milhões para atender demandas que viessem de Lula", 
acrescentou o empreiteiro. Nesta quarta (12), Moro retirou o sigilo dos depoimentos prestados na audiência que investiga Palocci. De acordo com informações divulgadas pela Veja, além de explicar a criação da conta, Marcelo esclareceu como se dava o recebimento das tais demandas por parte de Lula e ainda como era o processo de liberação desse dinheiro pelo departamento. 
"Teve alguns em que o pedido era feito e saía via espécie, aí Palocci pedia pra descontar do saldo Amigo. Então, quando ele pedia para descontar do saldo Amigo, eu sabia que ele estava se referindo a Lula, mas eu não tinha como comprovar"
Marcelo pontuou a negociação para a compra de um terreno em São Paulo, que seria a nova sede do Instituto Lula. Ele explica que essa seria sua forma de comprovar que o ex-presidente tinha conhecimento da fraude. 
"Foi quando veio o pedido para a compra do terreno do instituto, eu não consigo me lembrar se foi via Paulo Okamotto [presidente do instituto] ou via Bumlai [pecuarista, José Carlos], foi um dos dois, mas com certeza depois eu falei com os dois. Eu deixei bem claro que se eu fosse comprar o terreno sairia do valor provisionado", detalhou. 

Marcelo acrescentou que, embora Lula nunca tenha agido diretamente – ele negociava com Palocci –, ficou óbvio que o montante era para ele ao longo do processo. Citado em delações da Odebrecht, o ex-presidente foi encaminhado para investigação na Justiça Federal, o que o leva a mais um processo conduzido por Moro.

bahianoticia