Como forma de alerta, Marcelo Odebrecht teria enviado à ex-presidente Dilma Rousseff documentos que comprovam a prática de caixa 2 na sua campanha de reeleição em 2014.
Os arquivos teriam sido encaminhados através do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), de acordo com relato de João Nogueira, ex-diretor de Crédito à Exportação da Odebrecht Engenharia e Construção. Segundo o relator, o objetivo do ex-presidente da empreiteira era demonstrar que Dilma poderia se tornar alvo de investigação e fazê-la tomar providências quanto ao avanço da Operação Lava Jato.
Segundo informações de O Estado de S. Paulo, em sua delação, Nogueira descreveu uma série de encontros com Pimentel para discutir estratégias que impedissem o declínio do PT e da empresa com as investigações. Ele contou que Odebrecht foi a Belo Horizonte em 17 de dezembro de 2014 para encontrar Pimentel e apresentar os repasses ilegais à chapa Dilma-Temer.
"O que o Marcelo disse foi que tinha passado uma mensagem à presidente Dilma, porque o Pimentel era muito próximo dela: a comprovação, por meio de documentos, de que contribuições com recursos não contabilizados tinham sido feitas à campanha",
afirmou o delator, acrescentando que "eram tempos já desesperadores". Nogueira então afirmou que o recado foi levado a Dilma pelo próprio Pimentel, também em BH, em uma ocasião posterior.
Em contato com o jornal, a assessoria da petista voltou a negar que ela tivesse conhecimento sobre "quaisquer situações ilegais que pudessem envolver a Odebrecht e seus dirigentes, além dos integrantes do próprio governo ou mesmo daqueles que atuaram na campanha da reeleição".
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